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Dúvidas e esclarecimentos

Ary Fontoura

Um dia, conversando na Fiorentina com meu amigo, o grande comediante Milton Moraes, notei sua euforia. Tinha encontrado a parceira ideal para participar com ele na peça traduzida por Marisa Murray- “Transe no 18”, de Gene Stone & Ron Cooney. Só que- disse-me ele- vai ser uma barra porque a garota veio de São Paulo apostando em tudo e tem uma personalidade fora do comum. É uma réplica da pimentinha Elis Regina. Mas, como também gosto de apostar (ele era viciado em corridas de cavalos) aceitei essa. E foi, talvez, o palpite mais acertado da vida dele. Mais tarde, sabendo que o Boni andava procurando uma protagonista para “Escrava Isaura”, Milton, que tinha prazer em ajudar os colegas, levou-a até a Globo e, apesar de todas as exigências dela, o Boni se rendeu. Outro acerto! A novela foi e é um dos maiores êxitos de venda para o exterior. Rubens de Falco, o Leôncio da novela, fazia uma peça onde eu contracenava com ele. E o seu papo preferido era reportar-se à Lucélia. Ele adorava sua maneira de ser pessoa e atriz! Fui conhecê-la pessoalmente no teatro. Fizemos juntos “Rasga Coração”! Lembro-me dela sentada no topo de uma escada do cenário do Flaksman, esperando sua hora de entrar. E choramos juntos quando, no final, na estreia mais linda que já tive, o teatro Guaíra, em Curitiba, foi literalmente coberto de rosas, uma homenagem da Marilena Cury, nossa promoter, a todo o elenco e, em especial, ao gênio do Oduvaldo Vianna, seu autor. Estava já tudo preparado para a amizade que solidificamos e para o seu destino prosseguir. John Neschling, nosso grande maestro e diretor musical de “Rasga Coração”, a quem estimo igualmente, também apostou em Lucélia. Resultado: Casamento e Pedro Neschling, uma das pessoas mais bem educadas que conheço. Sou admirador pessoal dele e também da arte que herdou dos pais- um casal imbatível. Vi Lucélia no Cinema, na TV, em outras peças… Distanciamo-nos, como é comum na nossa carreira, onde gastamos toda a amizade enquanto duram os contratos. Mas continua viva a admiração mútua. Estou na Globo desde a sua fundação. Sou móvel e utensílio da emissora e, confesso, sinto falta de vê-la pelos corredores, gritando meu nome e expandindo seu bom humor. E dos papos aprofundados que trocamos muitas vezes sobre a vida e a arte. Mas o tempo é sábio e sempre nos prepara surpresas. Quem sabe, algum dia, acrescentaremos aos nossos currículos mais um trabalho conjunto? Vontade não me falta, mas o tempo… Ah, que saudade do tempo em que as agendas só serviam para lembretes corriqueiros e sobrava tempo para o sonho.

Um forte abraço do Ary Fontoura
Ator

Por e-mail (03/01/2011)

AryFontoura002

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